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Terrorismo na Europa vs Terrorismo na Irlanda

O continente europeu vive tempos difíceis, depois de ataques terroristas como os de Bruxelas, em março, e de Paris, em novembro de 2015, ambos atribuídos ao grupo Estados Islâmico. O temor de novas investidas faz com que a segurança seja reforçada, em meio aos vestígios da crise dos refugiados. Mas como essas questões se refletem na Irlanda?

As opiniões são normalmente divididas entre o ceticismo e a preocupação exagerada. Não se sabe por dados oficiais, por exemplo, sobre membros do Estado Islâmico atuando no país, embora essa hipótese não seja descartada. O governo admite que algumas pessoas são monitoradas, parte por seu apoio público à causa do grupo terrorista, com base na Síria. Os irlandeses – e os que aqui residem – tentam encontrar resposta para uma pergunta fundamental: porque terroristas atuariam na ilha?

  1. A Irlanda é o ponto fraco europeu em questão de segurança – É o que dizem especialistas, cientes de que a recente democracia irlandesa – a independência do Reino Unido foi conquistada em 1922 – ainda não colocou os mesmos esforços de inteligência e segurança que já estão em voga em outros países europeus.
  2. A Irlanda é aliada de países inimigos do Estados Islâmico – Outro fato importante, embora, pensando lucidamente, o grupo terrorista jamais poderia esperar que qualquer país se feche a vizinhos e parceiros comerciais para aderir a uma causa com a qual não tem a menor relação. Se o argumento “se não está com nós, está contra nós” for usado, não sobram no globo muitos países a salvo da ameaça terrorista.
  3. A Irlanda abriga algumas das empresas mais importantes do mundo Facebook, Google e Twitter estão presentes no país, o que poderia ser um alvo desejado ao grupo, que usa a comunicação e redes sociais como um dos seus principais meios de conseguir seguidores e financiadores.
  4. Shannon Airport – Localizado no oeste irlandês, no aeroporto tem sido usado pelo exército americano por mais de dez anos como ponto de parada e reabastecimento, especialmente em missões no Iraque e Afeganistão. Mais de 2,5 milhões de soldados passaram pelo local. Esse seria o argumento mais plausível, capaz de criar alguma preocupação em terras irlandesas

No geral, no entanto, o ceticismo impera. A sugestão de que o Estado Islâmico explodiria a Spire de Dublin, por exemplo, virou piada para os moradores da capital, muitos dos quais acham o monumento brega. A verdade é que irlandeses têm outras organizações terroristas com as quais se preocupar. A principal delas é o Novo IRA, uma renovada versão da organização que luta pela reunificação da Irlanda e que depôs as armas em 2005.

Estimulados pelo centenário do Easter Rising, o levante que teve papel primordial no processo de independência da Irlanda diante do Reino Unido, o grupo tem se movimentado, inclusive com atentado a bomba – uma das marcas do grupo -, realizado em março em Belfast, capital da Irlanda do Norte – a parte irlandesa que se mantém sob o comando do Reino Unido.

Em janeiro, David McNarry, líder do UK Independence Party em Belfast, deu entrevista levantando a hipótese da existência de um grupo do Estado Islâmico na Irlanda do Norte. Eles estariam trabalhando em conjunto com membros do IRA, que proveriam treinamento na preparação de atentados a bomba. Nada foi provado. Até o próximo atentado, a Irlanda viverá uma onda de ceticismo e alarmismo. É improvável que ocorra mais do que isso.

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